Resenha: Um Mais Um – Jojo Moyes

Nome original: One Plus One
Ano: 2015
Escritora: Jojo Moyes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas 320
Saga a que pertence: Volume Único

Quatro palavras: Jojo Moyes nunca decepciona.

Um Mais Um conta as desventuras na vida de Jess Thomas e Ed Nicholls. Jess é uma mãe solteira com dois filhos e dois empregos, um deles como faxineira na casa de veraneio do Sr. Nicholls. Ed, por sua vez, é um geek criador de uma empresa milionária que produz softwares, mas que acabou se metendo em uma furada que pode levá-lo à cadeia por conceder informações privilegiadas a uma ex-namorada. Jess precisa achar uma forma de ir de Southampton à Escócia, para que sua filha Tanzie – que tem um talento sobrenatural para matemática – possa participar de uma Olimpíada e com o prêmio pagar seus estudos em uma escola particular, na qual ficará longe dos problemas que a vizinhança causa e terá um futuro melhor. Mas, sem nenhum dinheiro sobrando para a viagem e cada vez mais dívidas se acumulando, a mãe não vê como recusar a carona que surpreendentemente Ed oferece à família – por alguma espécie de bondade súbita que nem mesmo ele conseguiu compreender – e juntos, os cinco – Jess, Sr. Nicholls, Tanzie, Nicky e Norman (o grande cachorro de guarda babão) – cruzam o Reino Unido e enfrentam todo o tipo de imprevisto. Mas, se eles considerariam a viagem mais longa que o normal, as consequências dela se mostrariam muito mais duradouras.

A primeira coisa a ser falada sobre esse livro é a forma como ele foi escrito. Cada capítulo era narrado com o foco voltado a um personagem específico. Então não entramos apenas na cabeça de Ed ou de Jess, ou do narrador onisciente, mas também conseguimos ver o que Tanzie e  Nicky achavam de tudo o que estavam vivendo. E a forma como Moyes foi capaz de adaptar sua escrita e os detalhes do cotidiano deles para atingir quatro vidas e quatro faixas etárias diferentes foi impressionante.

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Em seguida, o realismo de toda a história. O otimismo de Jess, que era tudo o que ela tinha. As dificuldades que os acompanhavam sempre. O problema financeiro. O abandono familiar. O bullying. Cheguei a chorar em algumas partes do livro porque senti a injustiça que Jess estava sofrendo. Chorei de raiva e de tristeza porque ela era muito humana e muito real e tudo o que estava acontecendo com ela pode acontecer com qualquer um que tiver um pouco de azar. Durante a leitura, às vezes passa na cabeça que tudo aquilo está acontecendo porque Marty, o marido de Jess, foi embora, e que tudo está ruim por causa disso. Mas não demora muito pra notar que a fuga de Marty foi a melhor coisa que aconteceu à Jess e às crianças por uma série de razões.

Considero Jess um exemplo de feminismo e de mãe, inclusive, porque durante toda a história ela foi capaz de fazer tudo sem a ajuda de nenhum homem, como foi obrigada a ficar, e sendo assim mostrou-se forte e independente, além de que muitas vezes mostrou que os seus erros poderiam servir de lição para que os filhos amadurecessem. Além disso, mesmo com toda a sua independência, ela mostrou que isso não significa ficar alheia ao amor ou não aceitar ajuda de alguém quando é necessário.

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A única coisa que eu me peguei perguntando era se toda aquela viagem valeu a pena financeiramente. Porque ao longo de toda a jornada eles gastam muito dinheiro, dinheiro esse que talvez tenha superado o valor do prêmio. Talvez o Sr. Nicholls pudesse ter emprestado à Jess sem a necessidade de toda aquela missão, e ela o pagaria em prestações. Mas acredito que o significado de toda a viagem e da história em si foi tão maior que esse foi apenas um fio solto sem importância maior na história.

Sem sombra de dúvidas, Um mais Um é uma história de otimismo, superação e amor à família. Após a última página você se vê repetindo os mantras de Jess: “Coisas boas acontecem a pessoas boas”, e “Vai ficar tudo bem”.