A vida com expectativas requer mais coragem

 

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Você já criou expectativas? Ficou esperando para que algo acontecesse e quando chegou a hora… Não aconteceu. A vaga não é sua. Você não ganhou o aumento. Tirou uma nota baixa na prova. O presente não era o que você estava esperando. Aposto que sim. Eu também já.

Conforme o tempo passa e as expectativas frustradas deixam o coração calejado aprendemos que a melhor forma de nos mantermos inatingíveis é não criando expectativas. Pensar no pior cenário possível e dessa forma se surpreender se o resultado for positivo ou aceitar com menos dor o resultado negativo parece ser mais fácil. Eu estava fazendo isso com relação à minha aparência e não sabia.

Certa vez uma amiga me disse que eu seria linda quando atingisse o auge da minha beleza. Entendi que o “auge da beleza” é uma união da aparência da fase mais bela da sua vida com o máximo de esforço que você pode deliberar para ficar bonita. E, como eu disse, é o auge. Para frente, inevitavelmente, as coisas irão decair. Eu não sabia o quanto isso havia me afetado até pouquíssimo tempo atrás. A forma como me afetava (e, infelizmente, ainda me afeta), é a mesma forma como a indústria cultural para garotas pré-adolescentes atua. O cliché da garota aparentemente feia por ser natural, mas por um evento ou por qualquer outra razão decide mudar de visual, aparece deslumbrante, todos passam a tratá-la de uma forma melhor e fim, feliz para sempre. Eu poderia encher o restante desse texto com exemplos de filmes e livros sobre o assunto, mas tenho certeza que muitos títulos estão pipocando na mente de vocês neste momento.

Mas e quando você tem a sensação de que não é a hora de atingir o auge da sua beleza ainda? Que não está na hora de desabrochar? É nessa hora em que você entra na minha situação.

Sempre imaginei que minha época de ouro seria a partir dos vinte anos. Dessa forma, passo os anos que os precedem não dando a mínima para a minha aparência. Me recuso a usar salto alto por me considerar muito nova. Quase não uso maquiagem. Não faço mais do que minha obrigação com meu cabelo. Quase nunca pinto minhas unhas. E, durante todo esse tempo achava que era porque eu simplesmente não gostava de toda essa vaidade. Percebi, enfim, que é mais uma questão da expectativa das pessoas sobre mim. Se eu não me cuidar as pessoas vão perceber que eu não me esforcei para ficar bonita. Logo, não irão me achar feia. Assim eu não crio expectativas e não me decepciono. Uma lógica bobinha, mas que engana bem o cérebro.

O problema é que isso está errado demais para a autoestima e limita a gente. Uma das melhores coisas que existem é a sensação de estar bonita para si mesma ao invés de estar em busca de aprovação alheia. Aliás, não há essa história de auge da beleza. Os padrões mudam, as opiniões também, assim como os gostos. Existem infinitas possibilidades para se experimentar. Não é possível agradar todo mundo, e viver percorrendo elogios é tóxico para o corpo e mente.

Seja o seu próprio auge todos os dias, crie expectativas, corra atrás. Essa é a maneira mais linda de viver e de ser feliz.

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O que fazer com nossos livros infantis?

tumblr_mrt6rhcdmt1r89lywo1_400Meus livros estão no meu quarto. Todos eles. Eu tenho os livros que eu cuido como relíquias ~ os atuais ~, e tenho guardado em caixas os gibis, as histórias pequenas, os contos que fizeram minha infância. Isso ocupa uma boa parte do meu quarto que eu poderia usar para guardar outras “bugigangas”, mas eu simplesmente não consigo(guia) desapegar. Baseado na minha experiência, vim dar uma mexida nas ideias de vocês.

Apesar de eu ter mais ou menos três caixas cheias de livros infantis, eu posso contar nos dedos das mãos os livros que “marcaram” realmente a minha infância, o resto está ali apenas para fazer volume, na verdade. Acho que muita gente, assim como eu, tem esse problema de acabar se apegando a coisas que na verdade não são tão especiais para nós, mas mesmo assim esperamos que sejam. Mas se você já passou dos 15, esqueça, o momento já passou.

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Eu costumava dizer que meus quinze anos não iriam mudar nada na minha vida, que eram exatamente a mesma coisa que meus quatorze, mas como eu estava enganada. Vão fazer quatro meses que fiz essa idade e já vi como muda. Talvez eu não tenha mudado diretamente, e nem drasticamente, mas a sociedade me mudou quando eles mudaram a forma de me olharem. Eu conquistei muitas coisas que com quatorze seria impossível, e sei que ainda há muito a conquistar, e principalmente, há muita responsabilidade com que lidar daqui para a frente, mas o que eu tenho certeza é que a única maneira de seguir em frente é parar de manter um pezinho ali no passado, tentando possuir a irresponsabilidade justificada e me fiando na minha infância para justificar meus erros.

Portanto, aqui vai o meu desabafo e uma promessa que espero cumprir: Desapeguei. Vou separar todos os meus livros, gibis, tudo que eu possuir que não esteja ligado diretamente à lembranças especiais, nostálgicas e boas da minha infância, e vou vender/doar para sebos, casas de leitura, etc. É incrível a quantidade de livrinhos em bom estado que eu tenho e que podem fazer a felicidade de outras crianças, e o mais incrível ainda vai ser saber que eu fiz mais gente feliz e me fiz feliz de tantas maneiras que um gesto destes pode proporcionar.

Faça como eu! Não é um sacrifício e muda a vida da gente e da próxima geração. Doe livros e comece a escrever sua própria história!

O que me faz

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Se eu fizesse a faculdade de Medicina, eu teria como história para minha decisão um jogo em que precisávamos adivinhar qual era a parte do corpo humano que tinha problemas. Se eu fizesse a faculdade de Administração, poderia contar a história de como minha mãe sempre me criou para ser uma líder. Se eu fizesse faculdade de Letras, poderia contar que escolhi essa profissão por ter esperneado para entrar no colégio aos 5 anos pois já sabia ler e escrever. Se eu fizesse faculdade de Matemática, poderia contar como sempre fui influenciada pelo meu irmão que conquistou tantas coisas sendo um gênio nessa área. Se eu fizesse faculdade de Arquitetura, poderia contar como sempre tive o desejo de construir a minha casa “perfeita”, e por isso havia decidido aprender a construí-la eu mesma. Se eu fizesse a faculdade de Geografia, poderia contar como sempre quis viajar o mundo todo, conhecer montanhas, cordilheiras, abismos, e até mesmo escalá-los. Se eu fizesse faculdade de Mecânica, poderia contar como sempre fui influenciada pelo meu pai, que sabe consertar todos os tipos de coisa. Se eu fizesse faculdade de Design ou Moda, poderia contar à todos como fui influenciada pela minha mãe, que tem o dom de fazer roupas sem graça virarem obras de arte e sempre estar antenada na moda mesmo nunca pesquisando-a a fundo. Se eu fizesse faculdade de Odontologia… Não, nem existe essa possibilidade.
O ponto é: Eu não faria nenhuma destas faculdades. Pois só de pensar nas histórias que eu posso contar sobre as profissões, isso me faz uma escritora. Me faz uma narradora, me faz.