A era da pseudo-inteligência

 

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No início desse ano a comoção em torno do vestibular foi enorme, ao menos para mim, por tê-lo vivenciado com tanta intensidade. E é claro, em conversas sobre o assunto, o fator estudo sempre acaba se tornando pauta. “Quanto você estudou?”, “Tinha dificuldade em quais matérias?”, “Fez cursinho?”, “Veio de colégio público ou privado?”. É claro que o conjunto de respostas diferenciava – e muito – as pessoas, mas um comentário em comum chamou minha atenção de uma forma pejorativa.

Quando esse tema começou a ser levantado, a maioria das pessoas falava – e com orgulho – que não estudou, que dormiu durante as aulas, que levou o ano como quem está em férias duradouras, mas mesmo assim passou. Desculpe, não consigo acreditar em você e acho errado o que está fazendo.
Olhe, não estou querendo generalizar. Existem pessoas inteligentíssimas no mundo sim, e faculdades costumam reuni-las, mas se todas as pessoas que ouvi dizerem isso forem realmente tão superdotadas de inteligência, como afirmam indiretamente, temos um verdadeiro congresso de gênios diariamente nas Universidades.
O meu ponto é: Está tudo bem você ter inteligência de nascença e possuir facilidade para estudar, e está tudo bem também você não possuí-la e esforçar-se ao máximo para atingir seus objetivos. O que está errado é menosprezar indiretamente essa segunda classe de pessoas afirmando que pertence à primeira quando sabe que é mentira. Isso é uma forma de preconceito também. No final das contas, não importa quem larga na frente, e sim quem chega primeiro. Muitas vezes, essa facilidade em absorver conteúdos faz com que a pessoa procrastine mais, se acomode mais. O contrário acontece com a pessoa que reconhece suas dificuldades e decide supera-las, sempre mantendo-se na ativa. A fábula da lebre e da tartaruga exemplifica isso muito bem: A lebre, rápida por nascença, decide disputar uma corrida com a tartaruga. Certa de que iria ganhar, larga na frente, adquire vantagem, encosta-se numa árvore e dorme. A tartaruga, devagar e constante, ultrapassa a lebre e chega no final do percurso em primeiro lugar.
Vale ressaltar que existem n tipos de inteligência, e que nenhum deles é melhor ou pior que o outro. Apenas diferentes. A inteligência que você possui pode ser diferente daquela que seu melhor amigo adquiriu, e todas as pessoas são inteligentes em um ou outro âmbito. A mania de generalizar e homogeneizar tudo é forte, mas é necessário ir contra a correnteza nesse aspecto.
Precisamos nos conhecer inteiramente, nos aceitarmos da forma como somos, e aí sim veremos que não há necessidade de auto-promoção a partir de coisas não relevantes como a origem da nossa própria inteligência. O importante é o que você irá fazer com ela.

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A vida com expectativas requer mais coragem

 

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Você já criou expectativas? Ficou esperando para que algo acontecesse e quando chegou a hora… Não aconteceu. A vaga não é sua. Você não ganhou o aumento. Tirou uma nota baixa na prova. O presente não era o que você estava esperando. Aposto que sim. Eu também já.

Conforme o tempo passa e as expectativas frustradas deixam o coração calejado aprendemos que a melhor forma de nos mantermos inatingíveis é não criando expectativas. Pensar no pior cenário possível e dessa forma se surpreender se o resultado for positivo ou aceitar com menos dor o resultado negativo parece ser mais fácil. Eu estava fazendo isso com relação à minha aparência e não sabia.

Certa vez uma amiga me disse que eu seria linda quando atingisse o auge da minha beleza. Entendi que o “auge da beleza” é uma união da aparência da fase mais bela da sua vida com o máximo de esforço que você pode deliberar para ficar bonita. E, como eu disse, é o auge. Para frente, inevitavelmente, as coisas irão decair. Eu não sabia o quanto isso havia me afetado até pouquíssimo tempo atrás. A forma como me afetava (e, infelizmente, ainda me afeta), é a mesma forma como a indústria cultural para garotas pré-adolescentes atua. O cliché da garota aparentemente feia por ser natural, mas por um evento ou por qualquer outra razão decide mudar de visual, aparece deslumbrante, todos passam a tratá-la de uma forma melhor e fim, feliz para sempre. Eu poderia encher o restante desse texto com exemplos de filmes e livros sobre o assunto, mas tenho certeza que muitos títulos estão pipocando na mente de vocês neste momento.

Mas e quando você tem a sensação de que não é a hora de atingir o auge da sua beleza ainda? Que não está na hora de desabrochar? É nessa hora em que você entra na minha situação.

Sempre imaginei que minha época de ouro seria a partir dos vinte anos. Dessa forma, passo os anos que os precedem não dando a mínima para a minha aparência. Me recuso a usar salto alto por me considerar muito nova. Quase não uso maquiagem. Não faço mais do que minha obrigação com meu cabelo. Quase nunca pinto minhas unhas. E, durante todo esse tempo achava que era porque eu simplesmente não gostava de toda essa vaidade. Percebi, enfim, que é mais uma questão da expectativa das pessoas sobre mim. Se eu não me cuidar as pessoas vão perceber que eu não me esforcei para ficar bonita. Logo, não irão me achar feia. Assim eu não crio expectativas e não me decepciono. Uma lógica bobinha, mas que engana bem o cérebro.

O problema é que isso está errado demais para a autoestima e limita a gente. Uma das melhores coisas que existem é a sensação de estar bonita para si mesma ao invés de estar em busca de aprovação alheia. Aliás, não há essa história de auge da beleza. Os padrões mudam, as opiniões também, assim como os gostos. Existem infinitas possibilidades para se experimentar. Não é possível agradar todo mundo, e viver percorrendo elogios é tóxico para o corpo e mente.

Seja o seu próprio auge todos os dias, crie expectativas, corra atrás. Essa é a maneira mais linda de viver e de ser feliz.

O que fazer com nossos livros infantis?

tumblr_mrt6rhcdmt1r89lywo1_400Meus livros estão no meu quarto. Todos eles. Eu tenho os livros que eu cuido como relíquias ~ os atuais ~, e tenho guardado em caixas os gibis, as histórias pequenas, os contos que fizeram minha infância. Isso ocupa uma boa parte do meu quarto que eu poderia usar para guardar outras “bugigangas”, mas eu simplesmente não consigo(guia) desapegar. Baseado na minha experiência, vim dar uma mexida nas ideias de vocês.

Apesar de eu ter mais ou menos três caixas cheias de livros infantis, eu posso contar nos dedos das mãos os livros que “marcaram” realmente a minha infância, o resto está ali apenas para fazer volume, na verdade. Acho que muita gente, assim como eu, tem esse problema de acabar se apegando a coisas que na verdade não são tão especiais para nós, mas mesmo assim esperamos que sejam. Mas se você já passou dos 15, esqueça, o momento já passou.

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Eu costumava dizer que meus quinze anos não iriam mudar nada na minha vida, que eram exatamente a mesma coisa que meus quatorze, mas como eu estava enganada. Vão fazer quatro meses que fiz essa idade e já vi como muda. Talvez eu não tenha mudado diretamente, e nem drasticamente, mas a sociedade me mudou quando eles mudaram a forma de me olharem. Eu conquistei muitas coisas que com quatorze seria impossível, e sei que ainda há muito a conquistar, e principalmente, há muita responsabilidade com que lidar daqui para a frente, mas o que eu tenho certeza é que a única maneira de seguir em frente é parar de manter um pezinho ali no passado, tentando possuir a irresponsabilidade justificada e me fiando na minha infância para justificar meus erros.

Portanto, aqui vai o meu desabafo e uma promessa que espero cumprir: Desapeguei. Vou separar todos os meus livros, gibis, tudo que eu possuir que não esteja ligado diretamente à lembranças especiais, nostálgicas e boas da minha infância, e vou vender/doar para sebos, casas de leitura, etc. É incrível a quantidade de livrinhos em bom estado que eu tenho e que podem fazer a felicidade de outras crianças, e o mais incrível ainda vai ser saber que eu fiz mais gente feliz e me fiz feliz de tantas maneiras que um gesto destes pode proporcionar.

Faça como eu! Não é um sacrifício e muda a vida da gente e da próxima geração. Doe livros e comece a escrever sua própria história!

O que me faz

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Se eu fizesse a faculdade de Medicina, eu teria como história para minha decisão um jogo em que precisávamos adivinhar qual era a parte do corpo humano que tinha problemas. Se eu fizesse a faculdade de Administração, poderia contar a história de como minha mãe sempre me criou para ser uma líder. Se eu fizesse faculdade de Letras, poderia contar que escolhi essa profissão por ter esperneado para entrar no colégio aos 5 anos pois já sabia ler e escrever. Se eu fizesse faculdade de Matemática, poderia contar como sempre fui influenciada pelo meu irmão que conquistou tantas coisas sendo um gênio nessa área. Se eu fizesse faculdade de Arquitetura, poderia contar como sempre tive o desejo de construir a minha casa “perfeita”, e por isso havia decidido aprender a construí-la eu mesma. Se eu fizesse a faculdade de Geografia, poderia contar como sempre quis viajar o mundo todo, conhecer montanhas, cordilheiras, abismos, e até mesmo escalá-los. Se eu fizesse faculdade de Mecânica, poderia contar como sempre fui influenciada pelo meu pai, que sabe consertar todos os tipos de coisa. Se eu fizesse faculdade de Design ou Moda, poderia contar à todos como fui influenciada pela minha mãe, que tem o dom de fazer roupas sem graça virarem obras de arte e sempre estar antenada na moda mesmo nunca pesquisando-a a fundo. Se eu fizesse faculdade de Odontologia… Não, nem existe essa possibilidade.
O ponto é: Eu não faria nenhuma destas faculdades. Pois só de pensar nas histórias que eu posso contar sobre as profissões, isso me faz uma escritora. Me faz uma narradora, me faz.

Um texto sobre a região sul

Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Estes três estados formam o local mais distante da linha do Equador que o Brasil chega: A região Sul. Por estar fora da zona tropical, é a mais fria das regiões do Brasil e conta com aspectos culturais muito diversificados dos outros estados. Primeiramente, a região foi colonizada por europeus, com ênfase em italianos, poloneses e alemães. Devido à esta grande miscigenação, não é surpresa esperar grandes festas, tradições, regionalismos e, é claro, sotaques. Com um sotaque diferente em cada local, podemos diferenciar facilmente de onde vem quem fala “Piá, olha o leite quente derramando ali!”, “”Exta” comida “extá” deliciosa, tu que fizestes?” e “Guria, que tal um mate pra esquentar os ossos, tchê?”. Mas este não é nem o início da peculiaridade do sulista. As comidas podem não ser requintadas como as da região nordeste, porém os pratos típicos são caprichados para assegurar que todo mundo esteja corado nos dias de inverno. Muito barreado, arroz carreteiro, pinhão, peixes e frutos do mar, e é claro, chimarrão e tererê é o cardápio mais visto nas mesas dos cidadãos da região sul do Brasil. Mas os sulistas não vivem só para encher o bucho não, tchê! Olha que tem muita gente influente pelos pampas, pinheiros e praias. Gente como Érico Veríssimo, Mário Quintana, Paulo Leminsky e tantos outros da literatura brasileira que tiraram inspiração das terras do sul. Cantores como Nelson Gonçalvez, Elis Regina e a banda Engenheiros do Hawaii começaram a cantar nas “garagens” de lá. Podemos checar nas telinhas os conterrâneos Ary Fontoura, Carolina Kesting, Grazielli Massafera, Xuxa, Tony Ramos, Sonia Braga entre tantos outros. Para não dizer que tem talento só nas artes (como se fosse pouco), ainda temos no esporte Ronaldinho Gaúcho, Alex, Alexandre Pato, Taffarel, Giba, Guga e é claro, os grandes clássicos Atletiba e Grenal. E depois de ler alguns poemas, cantar algumas músicas, assistir uma novela e torcer pelo seu time, é hora de ir para uma festa bem típica, e opção é o que não falta! Quer experimentar todo o tipo de cerveja e ver como é a tradição alemã de pertinho sem sair do Brasil? Vá à OktoberFest, em Santa Catarina. Quer tomar goles de safras desde antes do seu nascimento? Vá à Festa da Uva no Rio Grande do Sul e relaxe tomando vinho. E, como se ainda não tivéssemos falado o suficiente de bebida, dê uma passadinha na maior festa do Paraná, a Festa Nacional do Chope Escuro, que atrai bandas e cantores como Pitty, Jota Quest e muito mais todos os anos. Você pode curtir muito as Cataratas do Iguaçu, uma das 7 maravilhas do mundo, no Paraná. Ainda acha que está faltando algo? Um pouco mais de cultura, talvez? Pois tire isso já da sua cabeça, piá! Curitiba foi nomeada em 2003 a capital da Cultura das Américas pela própria ONU. É muito orgulho, não é? Só não coloca olho gordo, piazada, isso aí tudo é nosso!
– Janyne Leonardi