Resenha: A Casa das Marés – Jojo Moyes

Nome original: Foreign Fruit
Ano: 2003
Escritora: Jojo Moyes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas 476
Saga a que pertence: Volume Único

Ao longo de 50 anos, muitas coisas podem mudar. A forma de agir, o jeito de se comunicar e até mesmo de se relacionar. Mas os sentimentos podem continuar os mesmos, e sempre há algo capaz de nos transportar de volta ao passado, de volta ao local onde eles surgiram. Esse lugar é a cidade de Merham, mais especificamente a casa com estilo diferente (e que abriga pessoas diferentes) perto do mar, Arcádia. Do final da Segunda Guerra Mundial ao início do século XXI, essa construção será palco de reviravoltas impressionantes.

Lottie Swift era uma garota pacata que mudou-se de Londres durante a Segunda Guerra Mundial para a casa da melhor amiga Celia, em Merham, que diferentemente dela está sempre procurando o agito e mal vê a hora de sair daquela pequena cidade litorânea. Quando um grupo excêntrico de artistas muda-se para o casarão da cidade, conhecido como Arcádia, a curiosidade faz com que Celia e Lottie batam à porta desses novos vizinhos. Confusões, amor, traição, culpa e mentiras seguem essa atitude, e, mesmo depois de 50 anos, ainda há consequências desse ato.

É uma tarefa difícil designar qual é a verdadeira trama de “A Casa das Marés” porque, além de ser uma história extremamente complexa e subjetiva, não há um verdadeiro pano de fundo que influencie as atitudes dos personagens. Eles simplesmente vivem a vida deles. Sendo assim, acho que a melhor designação dessa história é: Dois retratos dos costumes de duas épocas diferentes. E eu já explico o por quê.

Jojo Moyes está a caminho de se tornar minha autora favorita, tanto pela profundidade de suas histórias quanto pela qualidade da narrativa. O livro é dividido em três partes, a primeira referente ao período que ocorre logo após o término da Segunda Guerra Mundial e as outras duas partes referentes ao século XXI. A diferença na narração dos fatos entre cada período histórico é simplesmente deslumbrante. Na década de 40/50 nada é clarificado. Existem muitos tabus na comunicação. Toda a narrativa é subjetiva. A palavra traição é substituída pelo relato de vários sumiços e compromissos inadiáveis que aparecem de última hora e sem explicação, e também pelo comportamento de certos personagens com outros. É necessário deduzir o que está sendo realmente dito para que haja completo entendimento dos acontecimentos. Já no século XXI há palavrões e palavras simples que resumem toda uma série de acontecimentos. Uma forma mais prática de linguagem, parecida com a que utilizamos nos dias de hoje.

O livro em si é sensacional, com uma história de tirar o fôlego e querer ler compulsivamente pra saber como duas histórias tão diferentes vão se encaixar e como tudo vai se resolver. A narrativa dele, apesar de ser em terceira pessoa, pousa a cada capítulo em um personagem diferente, focando em suas emoções e pensamentos por vez. Por outro lado, alguns pontos do livro me deixaram irritada. Um deles foi a personalidade de Lottie, extremamente frágil, chorona e condescendente. Outro foi o final do livro que não me agradou também por ter sido incoerente com todo o desenrolar da história, me fazendo perguntar se Lottie realmente era uma boa pessoa.

É uma leitura profunda e bem curiosa, boa para um dia com bastante sol e uma grande moleza. Aconselho a ler enquanto come suas frutas favoritas, porque esse livro descreve frutas estrangeiras e dá água na boca!

Até a próxima!

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Um comentário sobre “Resenha: A Casa das Marés – Jojo Moyes

  1. Pingback: Resenha: Um Mais Um – Jojo Moyes | Cappuccino, Inverno e Livros

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