A volta de “Os 13 Porquês” tira do pause o debate sobre o seriado

Imagem: Divulgação

 

Janyne Leonardi

Estreou em 2017 um dos seriados mais polêmicos da Netflix. A história da trajetória que levou ao suicídio de Hannah Baker, com agressão sexual, bullying, LGBTfobia e diversos assuntos delicados que permeiam a vida adolescente vieram à tona de forma intensa para o telespectador. Com 13 episódios, cada um com cerca de uma hora de duração, muito silêncio e observação, uma trilha sonora bem escolhida – a música The Night We Met, da banda Lord Huron, toca na cena do baile e se tornou uma das minhas favoritas – e uma paleta de cores bem selecionada em tons frios e quentes para diferenciar o presente do passado transformaram o seriado em algo etéreo e ao mesmo tempo chocante, criando um contraste violento.

Cenas explícitas e a narrativa pessimista assustaram especialistas e pais, que ficaram preocupados com a saúde dos adolescentes – público-alvo do seriado. Logo surgiram artigos, textos e rodas de conversa para debater se ele deveria mesmo ser assistido e se estava ajudando os adolescentes com esses assuntos.

Não há dúvidas de que o seriado foi bem planejado. A escolha de elenco, a presença de profissionais para as cenas mais intensas, o roteiro e a cinematografia mostram isso. Não foi um seriado feito às pressas. Mas talvez o propósito dele tenha sido mal interpretado.

A Netflix encomendou uma pesquisa realizada pela Universidade de Northwestern sobre o impacto que o seriado causou no público, e chegou a conclusões muito positivas. Mais da metade dos entrevistados pediu desculpas para as pessoas a quem estavam causando mal, três quartos passou a tratar as pessoas com mais consideração após assistir o seriado. A mesma proporção (71%) se sentiu representada pelos personagens. O seriado foi considerado, ainda, o terceiro melhor para assistir em família, em 2017, de acordo com a empresa de streaming.

Apesar disso, um vídeo divulgado pela Netflix para promover a segunda temporada da série trouxe o elenco para avisar que, se a pessoa está passando por momentos difíceis, talvez seja melhor não assistir. E essa é exatamente a premissa que muitos utilizaram para criticar o seriado: que ele não trazia mensagens positivas e poderia ser uma “romantização do suicídio” ou um gatilho para depressão e outras doenças mentais para os telespectadores.

A conclusão que se pode chegar, pelo conteúdo de divulgação que a Netflix trouxe nos últimos tempos, é que a mensagem da série talvez não seja “assista ao seriado e fique melhor”, como alguns acreditaram ou torciam que fosse, e sim “quando você fala sobre o problema, ele fica mais fácil”. Essa mensagem está presente quando algo que une todos os personagens é o fato que nenhum deles procurou ajuda ou contou para alguém que realmente pudesse ajudar. Eles preferiram guardar segredo e sofrer em silêncio. Hannah fez a mesma coisa, até não querer mais sofrer e cometer suicídio.

Algo que se pode esperar nesta segunda temporada, que estreia dia 18 de maio, é um ajuste de discurso que torne mais clara essa intenção. A Netflix já anunciou que nesta temporada o elenco será convidado a falar sobre como procurar ajuda, e a presença de especialistas será maior. De qualquer forma, a existência de debates sobre esse tema no espaço público já torna a intenção bem sucedida, pois o suicídio é a terceira maior causa de morte entre adolescentes de 15 a 19 anos, segundo dados da OMS, e conversar sobre qual é ou não é a melhor forma de combatê-lo é um passo para resolver a situação.


Se você se vê representado pelos personagens do seriado, procure alguém para desabafar! Entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (Ligue 188) e conte para alguém. Entre também no site https://13reasonswhy.info/ e encontre materiais para conversar sobre esses assuntos com seus familiares e outros conteúdos que podem ajudar a superar esses momentos difíceis.

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Leituras de Janeiro 2017

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Oi pessu!

Decidi retornar com as publicações sobre minhas leituras mensais por dois motivos. O primeiro deles é para que eu possa guardar e contabilizar minhas leituras. Tentei fazer isso em uma agenda pessoal, mas não deu certo. E o segundo motivo é para que, caso vocês se identifiquem com meu gosto literário ou queiram que eu resenhe algum livro específico, seja possível saber se eu já o li ou não.

Vamos dar uma olhadinha nos títulos de janeiro!

Nome original: Magician
Ano: 1982
Escritora: Raymond E. Feist
Editora: Saída de Emergência Brasil
Páginas: 432
Saga a que pertence: Saga do Mago
Resenha no blog? Não

Nome original: Miss You
Ano: 2016
Escritora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
Saga a que pertence: Volume único
Resenha no blog? Sim

Nome original: Can you keep a secret?
Ano: 2003
Escritora: Sophie Kinsella
Editora: Galera Record
Páginas: 384
Saga a que pertence: Volume único
Resenha no blog? Não

Nome original: City of Bones
Ano: 2010
Escritora: Cassandra Clare
Editora: Galera Record
Páginas: 476
Saga a que pertence: Instrumentos Mortais
Resenha no blog? Sim

Nome original: The Bad Beginning
Ano: 1999
Escritora: Lemony Snicket
Editora: Seguinte
Páginas: 152
Saga a que pertence: Desventuras em Série
Resenha no blog? Não

 

Nome original: The Geography of you and me
Ano: 2016
Escritora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 272
Saga a que pertence: Volume único
Resenha no blog? Sim

Nome original: One Plus One
Ano: 2015
Escritora:Jojo Moyes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas 320
Saga a que pertence: Volume Único
Resenha no blog? Sim

 

 

 

 

 

É isso!

E aí, alguma leitura em comum?
Beijo, e até a próxima ♥

Resenha: Um Mais Um – Jojo Moyes

Nome original: One Plus One
Ano: 2015
Escritora: Jojo Moyes
Editora: Bertrand Brasil
Páginas 320
Saga a que pertence: Volume Único

Quatro palavras: Jojo Moyes nunca decepciona.

Um Mais Um conta as desventuras na vida de Jess Thomas e Ed Nicholls. Jess é uma mãe solteira com dois filhos e dois empregos, um deles como faxineira na casa de veraneio do Sr. Nicholls. Ed, por sua vez, é um geek criador de uma empresa milionária que produz softwares, mas que acabou se metendo em uma furada que pode levá-lo à cadeia por conceder informações privilegiadas a uma ex-namorada. Jess precisa achar uma forma de ir de Southampton à Escócia, para que sua filha Tanzie – que tem um talento sobrenatural para matemática – possa participar de uma Olimpíada e com o prêmio pagar seus estudos em uma escola particular, na qual ficará longe dos problemas que a vizinhança causa e terá um futuro melhor. Mas, sem nenhum dinheiro sobrando para a viagem e cada vez mais dívidas se acumulando, a mãe não vê como recusar a carona que surpreendentemente Ed oferece à família – por alguma espécie de bondade súbita que nem mesmo ele conseguiu compreender – e juntos, os cinco – Jess, Sr. Nicholls, Tanzie, Nicky e Norman (o grande cachorro de guarda babão) – cruzam o Reino Unido e enfrentam todo o tipo de imprevisto. Mas, se eles considerariam a viagem mais longa que o normal, as consequências dela se mostrariam muito mais duradouras.

A primeira coisa a ser falada sobre esse livro é a forma como ele foi escrito. Cada capítulo era narrado com o foco voltado a um personagem específico. Então não entramos apenas na cabeça de Ed ou de Jess, ou do narrador onisciente, mas também conseguimos ver o que Tanzie e  Nicky achavam de tudo o que estavam vivendo. E a forma como Moyes foi capaz de adaptar sua escrita e os detalhes do cotidiano deles para atingir quatro vidas e quatro faixas etárias diferentes foi impressionante.

Veja também a Resenha: Como Eu Era Antes de Você – Jojo Moyes

Em seguida, o realismo de toda a história. O otimismo de Jess, que era tudo o que ela tinha. As dificuldades que os acompanhavam sempre. O problema financeiro. O abandono familiar. O bullying. Cheguei a chorar em algumas partes do livro porque senti a injustiça que Jess estava sofrendo. Chorei de raiva e de tristeza porque ela era muito humana e muito real e tudo o que estava acontecendo com ela pode acontecer com qualquer um que tiver um pouco de azar. Durante a leitura, às vezes passa na cabeça que tudo aquilo está acontecendo porque Marty, o marido de Jess, foi embora, e que tudo está ruim por causa disso. Mas não demora muito pra notar que a fuga de Marty foi a melhor coisa que aconteceu à Jess e às crianças por uma série de razões.

Considero Jess um exemplo de feminismo e de mãe, inclusive, porque durante toda a história ela foi capaz de fazer tudo sem a ajuda de nenhum homem, como foi obrigada a ficar, e sendo assim mostrou-se forte e independente, além de que muitas vezes mostrou que os seus erros poderiam servir de lição para que os filhos amadurecessem. Além disso, mesmo com toda a sua independência, ela mostrou que isso não significa ficar alheia ao amor ou não aceitar ajuda de alguém quando é necessário.

Veja também a Resenha: A Casa das Marés – Jojo Moyes

A única coisa que eu me peguei perguntando era se toda aquela viagem valeu a pena financeiramente. Porque ao longo de toda a jornada eles gastam muito dinheiro, dinheiro esse que talvez tenha superado o valor do prêmio. Talvez o Sr. Nicholls pudesse ter emprestado à Jess sem a necessidade de toda aquela missão, e ela o pagaria em prestações. Mas acredito que o significado de toda a viagem e da história em si foi tão maior que esse foi apenas um fio solto sem importância maior na história.

Sem sombra de dúvidas, Um mais Um é uma história de otimismo, superação e amor à família. Após a última página você se vê repetindo os mantras de Jess: “Coisas boas acontecem a pessoas boas”, e “Vai ficar tudo bem”.

Resenha: A Geografia de Nós Dois – Jennifer E. Smith

 

Nome original: The Geography of you and me
Ano: 2016
Escritora: Jennifer E. Smith
Editora: Galera Record
Páginas: 272
Saga a que pertence: Volume único

Você já imaginou como seria passar uma noite inteira com sua cidade totalmente sem energia por conta de um apagão? E se isso acontecesse no exato momento em que você estivesse em um elevador? Com um colega de prédio com quem nunca conversou? Lucy nunca imaginou que isso iria acontecer quando desceu para pegar a correspondência naquele dia, mas assim mesmo se viu parada no meio do caminho entre o térreo e o vigésimo quarto andar com nada exceto as chaves de casa e Owen, filho do zelador do prédio, que mora no subsolo. Os dois nunca haviam conversado entre si, mas assim que começam a discutir sobre o motivo da queda de energia e o calor insuportável que estava dentro e fora do elevador, eles percebem uma química inegável que aquela noite atípica ajudou a criar.

Porém, quando os dois começam a sentir que estão começando a criar raízes um pouco mais sólidas em Nova York por conta um do outro, o destino os surpreende. Owen e seu pai decidem viajar pelos Estados Unidos e a família de Lucy recebe uma proposta de emprego na Escócia. O casal, que antes estava no mesmo ponto do mapa, começa a se afastar cada vez mais, e as únicas coisas que os mantém em contato um com o outro são os cartões-postais e o sentimento que cada um sente pela possibilidade de se reencontrarem e retomarem onde pararam.

 

Jennifer E. Smith é a mesma autora de A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista (clique no link para ver a resenha aqui do blog!), que é um dos meus livros favoritos pelo quão inteligente ele é. Infelizmente, A Geografia de Nós Dois não me conquistou da mesma forma. Pelo contrário.

Primeiro de tudo, achei os personagens pouco aprofundados. Durante toda a leitura, existem apenas cinco ou seis fatos da personalidade de cada um que são citados ou evidentes. A vontade de viajar e o luto resumem o livro.

Também senti durante a leitura que a autora tentou passar a visão de que os personagens não se sentiam pertencentes a um lugar específico porque o sentimento de pertencimento vem de uma pessoa especial, não da geografia. Mas isso não me convenceu. Eu senti que eles na verdade pertenciam a tantos lugares que amaram todos aqueles que visitaram.

Além disso, considerei que o sentimento de um pelo outro foi “inflado”. Tudo bem considerar que eles eram almas gêmeas e por isso não importava onde e com quem estivessem, porque suas mentes voltariam a pensar um no outro. Mas foi o tempo todo. Parecia muito mais que eles se sentiam assim pela falta de informações sobre o outro e sobre a vida atual de cada um longe, idealizando então suas qualidades e defeitos.

Fora isso, o livro segue a mesma temática jovem e leve dos outros livros da Jennifer. Eu aprecio como ela é capaz de escrever um livro que se passa em um único dia e outro que se passa em 9 meses de forma que fiquem com aproximadamente o mesmo número de páginas e contem uma história que não fica nem muito detalhada, no caso de um, nem muito breve, no caso do outro. Como eu já disse na outra resenha, recomendo os livros dela para quem está na faixa dos 12~18 anos, ou iniciando a incrível jornada da leitura. Fica a dica para presentear ❤

Resenha: O primeiro dia do resto da nossa vida – Kate Eberlen

 

Nome original: Miss you
Ano: 2016
Escritora: Kate Eberlen
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
Saga a que pertence: Volume único

Depois que a última página do livro de Kate Eberlen é virada, a existência do destino parece tão certa que é até reconfortante saber que o que é pra ser, será.

Tess e Gus são dois jovens cheios de sonhos e incertezas que passam as férias na Itália e trocam cerca de cinco palavras casuais entre si, sem saber que eram feitos um para o outro e que talvez nunca mais iriam se encontrar novamente. Tess fez um mochilão antes da faculdade, e Gus viajou com os pais para que encontrassem novas inspirações para viver após um acidente trágico na família. Eles acreditavam que as coisas iriam ficar melhores depois da visita àquele país mais do que apaixonante o qual prometeram que voltariam a visitar algum dia. Tess iria seguir seu sonho de se formar em Literatura Inglesa e Gus iria fazer medicina, deixando os pais orgulhosos por terem ao menos um filho seguindo a carreira que sempre desejaram que fizesse. Mas assim que cada um volta à Inglaterra, as coisas começam a dar errado.

Durante os próximos dezesseis anos, Tess e Gus passam por momentos bons, ruins e péssimos na difícil jornada de amadurecimento e de compreensão da dor, do luto e do medo. Tudo isso sem nunca se verem novamente, mas sempre estando mais perto um do outro do que podiam imaginar.

A leitura de “O Primeiro dia do resto da nossa vida” é fluída e divertida. Com cada capítulo voltado a um dos personagens, nós vemos ao longo dos anos as reviravoltas e dramas que acontecem na vida de cada um, aproximando e afastando-os de um possível encontro a todo momento. Além disso, cada acontecimento na vida dos dois serve para alimentar suas personalidades e torná-los personagens mais complexos, maduros e vividos. Mesmo vivendo de forma tão diferente, a lição essencial retirada de cada momento difícil causa o mesmo tipo de conexão entre os dois, e é possível notar a química e o engate que um teria sobre o outro, como duas peças de um quebra-cabeça. E a cada capítulo, é possível notar como isso se torna maior, e maior, até você ter absoluta certeza de que eles foram feitos um para o outro. Por isso que conforme o livro vai avançando, mais ávida fica a leitura e a vontade de que os dois se encontrem e fiquem juntos.

Uma das melhores coisas do livro, e isso se deve à autora Kate Eberlen, é a verossimilhança das relações sociais e da complexidade dos personagens com a realidade. Não há personagens utópicos na história. Tess e Gus alternam entre os papéis de mocinho e vilão em cada passo que dão em suas vidas, e as pessoas que convivem com eles mostram os mesmos traços de humanidade. Uma das maiores lições que tirei desse livro foi que você nunca terá todo o reconhecimento que merece, e que a linha entre o que é justo e o que é pedante é tênue e se altera facilmente quando se trata desse assunto.

Outro aspecto que o livro aborda, porém de forma um pouco mais recuada, é o destino. Eu, que particularmente prefiro acreditar que o futuro está se alterando a todo momento, lutei um pouco contra essa ideologia no início. Mas é impossível fechar o livro após a última página ser lida e não acreditar, mesmo que por um instante, que há uma razão para tudo o que acontece na nossa vida e que o nosso grand finale, querendo ou não, já está escrito com tinta permanente.

Recomendo muito a leitura para quem gostou de ler alguma obra da Jojo Moyes ou o livro Um Dia, do David Nicholls. Torço pelo dia em que Eberlen, Moyes e Nicholls se juntarão para criar uma obra-prima desse tipo de literatura a qual já sou fã de carteirinha.